Recentemente, a comunicação móvel tem crescido em utilização e popularidade. Novas tecnologias de acesso sem fio emergiram acrescentando a necessidade de novas abordagens auto-configuráveis e auto-organizáveis, estas praticamente retiram a obrigatoriedade de administradores de rede e engenheiros de sistema.

Por exemplo, em cenários de emergência como desastres naturais, coordenação em missões militares de resgate, entre outros, um requisito fundamental é que elementos de comunicação suportem auto-configuração, auto-organização, e ofereçam serviços e requisitos de segurança com mínima interação humana. Esses requisitos são abordados nesse projeto e são definidos como as redes experimentais seguras (Secure Fieldwork Networks).

O projeto SeFiN propõe uma extensão ao protocolo HTR (do inglês - Heterogeneous Routing Protocol) que foi desenvolvido no projeto IDR (Interdomain Routing in Heterogeneous Network). O protocolo HTR adota de forma flexível princípios de roteamento cross-layer e habilita a formação de uma rede heterogênea (diversidade de dispositivos e tecnologias empregadas) e administração de serviços usando políticas de rede atreladas à papéis humanos e características dos dispositivos. Além disso, um esquema de endereçamento dinâmico, conhecido como DNCP (do inglês - Dynamic Network Configuration Protocol) foi elaborado para garantir unicidade de endereços, que são distribuídos e alocados para os nós, e permite a fusão e dissolução de redes, para o caso de ambientes ou contextos de alta dinamicidade. O projeto SeFiN visa redefinir a arquitetura existente do HTR para garantir e adicionar as novas funcionalidades que incluem: o compartilhamento e acesso a recursos de rede (Internet, VPN, Backbone IP) de forma agendada usando enlaces 3G, interação com redes tolerantes a atraso (do inglês - Delay Tolerant Networks), comunicação segura, novas políticas de rede atreladas a novos papéis humanos, papéis humanos hierárquicos (no mínimo três níveis a serem propostos), combinação e dissociação de grupos baseado em papéis humanos, suporte a IPv6, tolerância a falhas e auto reposição (substituição de Gateways de rede durante o episódio de falha), abordagens mais eficientes para atenuação de ruído e diminuição de problemas de propagação advindos de sinais de rádio. Além disso, será investigado o uso de cartões SIM para armazenamento seguro de informações de usuário (credenciais, chaves privadas, entre outros). Para avaliar a aplicabilidade do projeto, uma solução que permita o streaming (i.e. fluxo de mídia) de vídeo e voz em tempo real através de múltiplos caminhos e usando dispositivos reais será examinada e considerada como caso de uso principal, já que esses tipos de serviços são comuns em cenários de emergência.

Este projeto é desenvolvido através da parceria entre o Grupo de Pesquisa em Redes e Telecomunicações (GPRT) do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a ERICSSON do Brasil (EDB).